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TELEVISÃO

Page history last edited by PBworks 5 years, 6 months ago

Televisão: visão a distância.

Televisor: aparelho para assistir a televisão.

 

O uso didático e pedagógico da Televisão em sala de aula ou de vídeo requer, acima de tudo, um planejamento do educador, de como utilizar as informações apresentadas pela mídia, dentro do processo cognitivo do aluno.

 

No meu blog (http://letravivadoroig.blogspot.com) já postei alguns comentários e citei algumas experiências de educadores nesse sentido, publicados em revistas como a Nova Escola (www.novaescola.com.br). Exemplificando: O professor de ciências pode gravar uma reportagem de programas televisivos como Globo Repórter e Globo Ecologia, e transportar para conceitos sobre educação ambiental, que poderá ser trabalhada também na interdisciplinaridade e multidisciplinaridade. O professor de Matemática, através dos noticiários e entrevistas sobre economia; o de Português, comentando o linguajar de época, a linguagem coloquial, e a expressão culta do idioma; o de Geografia, com reportagens sobre o clima; enfim, uma variedade de informações, veiculadas diariamente na programação das televisões abertas - e se a escola possuir TV a cabo, melhor ainda, pois esta possui maior variedade de canais, alguns específicos para a educação (TV educativa e TV Futura, por exemplo -, poderá enriquecer as atividades com o aluno.

Através de pequenos Projetos de Aprendizagem, distribuídos dentro da carga horária e do currículo anual, podem ser incentivado a pesquisa do aluno por temas de seu interesse... dentro do que é apresentado em sala de aula, pelo professor, que é um mediador do conhecimento...

 

Programas feitos para o público jovem, passam mensagens interessantes, como a telenovela Malhação, tratando de temas diversos do universo infanto-juvenil.

 

PROJETO DE APRENDIZAGEM:

A TELEVISÃO PODE SER ALIADA DA EDUCAÇÃO?

 

 

CERTEZAS PROVISÓRIAS E DÚVIDAS

 

DÚVIDAS:

 

- COMO É A PROGRAMAÇÃO DA TV ABERTA E A DA TV PAGA NO BRASIL?

 

Essa indagação acredito ter conseguido dissipar parcialmente, a partir do artigo, de minha autoria, Televisão e Educação: exclusividade ou exclusão?, postado no blog e no link TELEVISÃO deste wiki.

A TELEVISÃO, embora uma concessão pública, é uma empresa com fins lucrativos, sem ter o objetivo principal a educação, que constitucionalmente é dever do Estado, e direito do cidadão.

Entrementes, não há como se separar um meio de comunicação de massa, com uma poderosa rede de transmissão de notícias e idéias, dissassociar-se da questão principal de todo órgão de comunicação: a veiculação da informação o mais fidedigna e esclarecedora possível.

O sentido mercadológico de uma Televisão Comercial não pode sobrepor-se o sentido pedagógico de uma concessão pública, ainda que não sob o prima educacional, como instituição, mas sob o foco da formação cidadã, contribuindo para a valorização do caráter ético e solidário em um povo.

A TV não pode criar a notícia e sim divulgá-la o meais fiel possível à verdade dos fatos. Da mesma forma que um programa destinado ao público infanto-juvenil deveria estimular a convivência harmoniosa e nem tanto competitiva e consumista, como via de regra é o que infelizmente faz...

Nesse ponto entre o professor, como mediador da informação, utilizando-a como forma de aprendizagem, contextualizando-a, estimulando a criticidade do aluno, compatrabndo a idéia e o ideal; o fato e a versão.

 

- COMO É A UTILIZAÇÃO DA TV E DOUTROS RECURSOS TECNOLÓGICOS NA ESCOLA?

 

A pesquisa, embora não detalhada, resultou em alguns dados. Pelo fato do NTE fazer levantamentos de maquinários, pode-se afirmar que a maioria dos equipamentos tecnológicos nas escolas são fruto de aquisição, ou da Secretaria Estadual da Educação do RS ou do MEC. Em alguns casos, as escolas adquirem TV e aparelho de som, normalmente utilizados em sala de recursos ou vídeo; em grande parte com atividades meramente recreativas e não pedagógicas.

A maioria das escolas que recebeu nos anos 90, o kit da TV Escola, com parabólica, TV e vídeocassete, no que tange a antena parabólica, ou está sucateada, danificada,ou foi roubada... Aqui na região sul, os ventos fortes contribuem ao danos no equipamento, se não colocado em local adequado.

 

- A TELEVISÃO INFLUENCIA O COMPORTAMENTO DO ADOLESCENTE EM SALA DE AULA?

 

Pode, sim, não apenas em sala de aula, mas na sociedade em geral. Gírias, modismos, trajes e "ultrajes" a rigor são condicionados pela exposição continuada a programação da TV aberta, cada vez mais vinculada ao comércio, a venda de produtos, desde cadernos escolares a vestuário em geral.

Uma coisa aprendi, de forma empírica, na vida: o microcosmo é uma reprodução do macrocosmo e vice-versa. O que acontece nas escolas da região sul do RS, acontece em todo o Estado e no país, por sermos o fruto de uma cultura, e não podermos nos dissassociar da influência padronizada que a TV tem sbre a maioria do território nacional. Adolescentes ou não, todos reproduzimos de vez em quando algo que vimos na TV: piada, gírias, frase, vestuário, receita, comentário de formador de opinião... A regra é clara!, diz o ex-árbitro Arnaldo César Coelho, via televisão e via satélite.

 

- EXISTE VIDA APÓS A TELEVISÃO... ESTAR DESLIGADA?

 

Coincidência ou não... No dia 09/11, quando ao retomar esses questionamentos e dúvidas, veiculou-se no telejornal, às 7h, uma reportagem sobre a comunidade Amish (tipo de seta religiosa ortodoxa norte-americana), que vive como no século XVIII, na região da Pensilvânia, mais propriamente na cidade de Lancaster, sem utilizar as comodidades da vida moderna: ádio, TV, energia elétrica, automóvel, etc. Mais por questões religiosas, evidentemnete, é possível resistir à modernidade. A comunidade melonita, uma versão menos ortodoxa da comundade Amish, já convive melhor com o moderno. Um estudioso da questão chegou a comentar à repórter, sobre o modo de vida dos Amishes: "Há coisas na vida mais importantes do que as coisas". Coisas materiais, provavelmente ele se referiu, de forma filosófica. NUm mundo tão competitivo e tão plugado ao consumismo, realmente resistir às tentações da MODERNIDADE, só sendo ortodoxo mesmo... Mas pode-se viver, de uma forma crítica, não tão vinculado ao que a TV nos diz ser certo.

Acredito sim que existe vida após a televisão (estar desligada), desde que sejam estimuladas e veiculadas de forma organizada, com planejamento. Televisão deve ser mais do que lazer. Pode ser um valioso recursos, uma poderosa ferramenta de instrução, ensino e inclusão social.

 

- COMO ALIAR EDUCAÇÃO E TELEVISÃO EM ATIVIDADES QUE NÃO SEJAM MERAMENTE RECREATIVAS?

 

Eis ai, o grande desafio! É necessário a mudança de paradigma, através da mudança de cultura. Temos hábitos arraigados no magistério público, sem a capacitação continuada, ora por falta de recursos próprios, ora por falta de recursos governamentais. A televisão pode ser sim uma ferramenta muito útil no ambiente escolar, através da adaptação da variada programação televisiva aos componentes curriculares de cada disciplina e inclusive na inter e multidisciplinaridade. Programas como Globo ecologia e Globo Rural, Globo repórter, além de outros e de outras emissoras, como telejornais, novelas, podem trazer uima gama de conhecimentos, proporcionando a aprendizagem siginificativa em sala de aula ou de vídeo. Notícias de economia, pra matemática;

telenovelas de época pra língua portuguesa; etc.

A criatividade é algo que falta a TV e a própria Educação, às vezes. TV escola, TVs educativas, TV Futura, TV a cabo, são recursos à disposição das escolas, através de parcerias com empresas que disponibilizam esse recursos de forma gratuita.

Cursos disponibilizados pelo MEC, como o Mídias na Educação, é um componente de qualificação do professor e do próprio ambiente escolar... Mas penso que o ambiente escolar tem que ter suas próprias perguntas e buscar as respostas. Cada escola deveria criar também seu mapa conceitual e projeto de Aprendizagem coletivo.

Conforme escrito num texto, de minha autoria, até o surgimento da TV, nos anos 1950, era a família e despois a escola há quem competia a instrução e educação das crianças. Hoje, nos Tempos Modernos, antes desse, é a própria TV que ensina o que deve e não deve à criança, antes mesmo da família, e da escola.

Se a família se desonera de responsabilidades, e à escola é imputado todo ônus de formação de um aluno/filho, há uma grave crise de identidade. Deve-se estabelecer de comum acordo, qual afinal é hoje em dia o papel da: família, escola, governo e sociedade... Estabelecendo esses critérios e atribuindo "a César o que é de César", pode-se, enfim, pensar em metas a serem seguidas e objetivos a ser atingidos.

 

CERTEZAS PROVISÓRIAS:

 

- Apesar dos avanços tecnológicos a programação da televisão não acompanha essa evolução.

- Temos vários recursos tecnológicos pouco explorados no ambiente escolar, utilizados mais como passatempo do que o fazer pedagógico.

- A TV direciona o comportamento adolescente em sala de aula, às vezes involuntariamente, outras com um sentido mercadológico.

- As pessoas estão condicionadas a ligar a TV, ainda que não prestem atenção ao que é mostrado, e noutras vezes a interagir com o apresentador, mesmo que não tenha a reciprocidade do mesmo.

 

MAIS CERTEZAS DURANTE A PESQUISA:

 

- A TV é educativa, ainda que não via TV educativa;

- A TV Educativa precisaria estar com o sinal aberto à comunidade;

- A TV aberta requer um acompanhamento dos pais, referente à programação dos filhos, no que tange a classificação por horário e faixa etária;

- A família precisa discutir abertamente, desde que com a TV desligada (pra facilitar a comunicação), temas que aparecem em sua programação;

- A TV auxilia na aprendizagem, e não somente na recreação.

 

 

 

RELAÇÕES ENTRE A TELEVISÃO E OS TEMAS DO GRUPO MODERNIDADE

 

 

 

 

TELEVISÃO E O COMPORTAMENTO ADOLESCENTE

 

É público e notório a influência, desde os anos 1950, quando surgiu, da televisão no comportamento da sociedade, primeiramente de forma subliminar, pelos merchadising distribuídos na programação, depois de forma mais explícita, já no início dos anos 1980, na programação destinada ao público infantil, em que desde sandálias plásticas, a cadernos, vestuário em geral, albuns de figurinhas, tudo passou a ser comercializado, levando os pais a destinarem grande parte de seu orçamento familiar aos produtos com a estampa dos personagens infantis. A partir daí, não bastava ser um caderno, roupa, sandália qualquer. Tinha que ter o desenho, a marca ou a estampa de uma apresentadora ou de uma personagem. Muitas vezes, as apresentadoras de programas infantis tornavam-se uma personagem, e não um ser real... Hoje, podemos perceber a influência da TV em toda a sociedade, mudando o horário dos jogos de futebol, pra depois da telenovela das 8, que inicia quase 21h, fazendo os torcedores irem aos estádios quase às 22h, para sair de lá depois da zero hora. Muda o comportamento de um grupo social em função de índices de audiência de uma emissora de televisão.O adolescente, muito influenciado antigamente pelos adultos (pais, vizinhos, conhecidos, professores), hoje recebe a influência da programação televisiva, que invade a sua vida, antes mesmo do que a família e a escola. Até os anos 1950, eram os pais e depois a escola, os resposnsáveis pela educação informal e formal, respectivamente. Hoje, é a televisão que educa ou não, as crianças antes mesmo de ingressarem na escola, já que a família torna-se ausente pela necessidade de trabalhar fora. O modelo de família até os anos 1950 era o pai provedor da casa e a mãe, dona do lar. Esse perfil, hoje, é a exceção e não a regra. Da análise empírica e intuitiva que fiz e tenho feito há mais tempo do que o início dessa especialização e da escolha dese tema, percebo o quanto a TV influência e dita moda e comportamento. Sobre a moda, analisarei a seguir.

 

TELEVISÃO E A MODA

 

Tanto em sentido amplo, como estrito, da moda e do modismo, a televisão é um grande gerador de manias entre jovens e adultos. Nunca fiz esse exercício, de ir a um cartório de registro civil e pesquisar, após cada telenovela de sucesso, quantos nomes de personagens virtuais, tornam-se nomes reais de crianças nascidas durante e depois da exibição de novelas campeãs de audiência. Exemplo: Dara, Sol, Jade... Nomes que fogem ao trivial e que tornam-se avalanche nas escolas, basta examinar, como faço, a lista de matriculados, a cada ano. O nome da moda é o nome da personagem principal de uma telenovela, via de regra. Se aparece a saia de cigana, logo quase noventa por cento de jovens e até mesmo mulheres adultas, passam a utilizá-la, quase como um uniforme de guerra. Se forma tamancos, tipo plataforma - não sei bem se é esse o nome - nove em cada dez mulehres terá o seu no armário. É o reflexo da programação televisiva na própria sociedade, induzindo ao consumismo, ao modismo e a reprodução do que vêem na tele tremeluzente. Modismos que são também , além do vesuário, do penteado, mas tambénm de gírias, expressões, frases feitas, chevões e jargões humorísticos, tipo: "Vem cá, eu te conheço?". Quem já não reproduziu essa frase, ainda que em tom de deboche com algum familiar, amigo, vizinho ou colega de trabalho? Atire a primeira pedra aquele que jamais copiou algo que viu na TV!!! Risos. Ou expressões que me dão calafrio, pela repetição continuada, entre nove em cada dez adolescente: "Tipo assim!" Tudo hoje começa com o "tipo assim..." (sic). Risos.

 

TELEVISÃO E OS RECURSOS TECNOLÓGICOS

 

A televisão, pela sua programação, pura e simples, pode ser utilizada em sala de aula pelo professor, como comentei num texto deste wiki. Mas a ela, podem se agregar outros recursos tecnológicos, como: videocassete, hoje superados pelo DVD. Podendo também ser utilizado o gravador de DVD pra copiar a priogramação e fazer uma biblioteca digital no acervo da escola. Uma placa repectora de TV (em média de 150 a 300 reais) pode ser instalada num PC, tornando-o um receptor de sinais de TV, e consequentemente copiando pra o seu HD vídeos em geral. Um aparelho de som pode ser instalado numa entrada de TV, para ampliar seu som. Um Data show também é um projetor que possibilita a ampliação da imagem para um público maior, num espaço mais amplo, dinamizando uma atividade educativa, "tipo assim" (sic), uma aula aberta e multisseriada e multidisciplinar sobre educação ambiental. Enfm, a tecnologia deve ser encarada como uma ferramentas, um apoio, um acessório ao trabalho do educador, e não a "quintessência do mundo moderno". Até pelo fato que a "Geração Data Show" usa e abusa dos recursos tecnológicos, banalizando-o ao ponto de tornálo um recurso trivial. Todo mundo quer um data show pera fazer apresentações qulimétricas de slides, lendo um a um, e provocação a fadica do apresentador e da platéia. Sem falar que se falta luz, o PC trava, e o educador sem a cópia impressa, ou sem saber utilizar o maior recursos didático-pedagógico que possui (a própria voz e a experiência de vida), poderá dar vexame... A tecnologia não pode ser a "segunda pele" do professor. Não pode ser jamais a "lanterna mágica" na escuridão. A tecnologia deve ser encarada como o giz e o apagador, pra geração passada. Sem estes, a aula flui da mesma forma, ainda que d'outro jeito...

 

CONCLUSÃO:

 

Este wiki partiu de interligações entre o tema - a televisão e a educação -, conectando-se ao das colegas: Grede Brasil (Moda); Gelsi Oliveira (Comportamento adolescente) e Aline Conceição (Recursos Tecnológicos). Nesse caminho, nosso projeto de aprendizagem, batizado de MODERNIDADE, buscou esses "links" uns com os outros. Interagimos na etapa presencial, mas também a distância, via email, forum, chat, MSN, orkut... Trocamos idéias e experiências de vida. Interagimos com outros colegas de outros grupos. Eu, particularmente, sem o apoio das colegas do meu grupo, de minha colega de trabalho aqui do NTE-Rio Grande, Janaína, e de outras colegas que se tornaram amigas nessa trajetória profissional e solidária, em minha auto-avaliação, não teria podido desenvolver algumas das atividades propostas... Parece que o objetivo do curso era esse mesmo: promover a interação e a integração de tecnologias e de educadores.

Muitas fontes serviram nessa pesquisa: desde o material disponibilizado pelo curso, as indicações de colegas, as leituras próprias de revistas como Nova Escola, Pátio etc, jornais, reportagens de TV, comentários de colegas, vizinhos, educadores do círculo de trabalho e amizade. Breve essas fontes serão referenciadas nesse wiki.

 

OBSERVAÇÃO:

 

Abaixo, alguns textos de minha autoria, publicados em meu blog e em alguns jornais da região de Rio Grande, do qual sou colaborador...

 

TELEVISÃO E EDUCAÇÃO: EXCLUSIVIDADE OU EXCLUSÃO?

 

Por causa da qualidade da TV aberta, o telespectador mais exigente e com maior poder aquisitivo, paga para ver (pay-per-view) algo diverso da mesmice da TV tradicional, ancorada em índices de audiência que vinculam a programação à concorrência e a venda de produtos. Hoje, até emissoras consagradas, que diziam prezar o padrão de qualidade, buscam maior cota de patrocinadores, adotando as mesmas práticas (abusivas?), tão criticadas, quando utilizadas pela concorrência.

Programas sérios e esclarecedores não farão parte das grades de programação das TVs abertas, enquanto persistir o atual modelo televisivo. Programas de ótima qualidade são apresentados aos sábados e domingos, no limbo da programação. Para o povo em geral, que precisa levantar-se às seis da manhã para iniciar nova jornada de trabalho semanal, a exclusividade de poucos é a exclusão de muitos. Eis a lógica da TV aberta: programas de qualidade, no “madrugadão”, e os de qualidade duvidosa, de apelação e sensacionalistas, em “horário nobre”. “Hoje é dia de Maria”, mini-série revolucionária (mesclando teatro, musica, cinema, arte e cultura popular) foi também colocada no purgatório da programação. Diante desta realidade, os insones, os desocupados e os alienados é que são felizes e não sabem!

As campanhas de solidariedade estimulada são o exemplo paradoxal da força da televisão. Quando veiculadas através de reportagens especiais, em telejornais, programas dominicais ou telenovelas, têm repercussão instantânea do público ligado à TV e desligado da vida cotidiana, sem perceber as mazelas da sua vizinhança, mas se compadecendo das pessoas que vivem a milhares de quilômetros de onde moram. Na rua, na casa ao lado, pode também morar família tão desprovida de condições humanas de sobrevivência quanto aqueles que aparecem na tela tremeluzente, que levam a piedade instantânea (e doações imediatas). Não se trata de hipocrisia social, mas de desatenção pra vida cotidiana dos desassistidos em todos os sentidos. Não se têm mais tempo pra pensar, a não ser diante do televisor. Famílias não conversam mais entre si, quando a TV está ligada, mas dão boa noite ao âncora do telejornal.

Reportagens falam em educação para o trabalho, quando a melhor educação é aquela pra vida e para o mundo. E o paradoxo atual trata-se do binômio: televisão e educação. A TV Educativa e a TV Escola só são captadas, fora ledo engano meu, por quem pode adquirir antena parabólica ou pagar a nada módica (mas de boa qualidade!) assinatura de TV a cabo, fora das possibilidades da maioria dos assalariados deste país. Exclusividade que poderia ser considerada exclusão social se lembrarmos ainda do tal pacote pay-per-view, que agora está sendo regulamentado por lei, quando se tratar de adquirir os direitos exclusivos de transmissão de jogos (e espetáculos) sem transmitir nem dar chance à concorrência de o fazer. Contradição dentro da lógica de monopolizar pra faturar mais e mais. Mais contraditório ainda é saber que alguns canais a cabo, de emissoras privadas, possuem programação exclusivamente educativa e com qualidade de primeiro mundo. Em contrapartida, os canais estatais (TVs educativas de vários estados) estão disponíveis somente àqueles que podem pagar boas escolas particulares, cursinhos pré-vestibular, e, que, em tese, são privilegiados. Claro, têm tele-curso, às 5 ou 6 da manhã, disponível ao respeitável público! Mas, em canal aberto de TV privada e não estatal.

Tenho analisado a importância dos multimeios na vida cotidiana de uma cidade, estado e país: suas contribuições e suas deficiências no processo de ensino-aprendizagem, já que estou cursando especialização a distância, em Tecnologia Educacional, pela UFRGS, onde desenvolvo projeto de pesquisa que é justamente a possibilidade de “A televisão ser ou não uma aliada na educação”. Preliminarmente, penso que tal exclusividade, de educação via televisão, dependendo da forma como é oferecida à sociedade, pode ser considerada sim uma forma de inclusão ou exclusão social.

 

http://controlverso.blogspot.com

José Antonio Klaes Roig

 

TELEVISÃO E HABITAÇÃO

 

Televisão e habitação: 50 anos depois. Dois fatos geradores, surgidos na década de 1950, acabaram refletindo, não só no comportamento dos indivíduos, mas na própria sociedade atual.

Não me reporto ao Brasil, enfim, campeão mundial de futebol (1958), mas a fatos sintomáticos: o surgimento da televisão e o êxodo rural rumo às cidades, com a crescente industrialização do país, decorrente da Revolução de 1930. A partir do governo JK (1956-1961), implantam-se grandes montadoras de automóveis; ocorre o sucateamento da via ferroviária, em detrimento da malha rodoviária, que no futuro, sem a devida manutenção, acabará em buracos, crateras quase lunares (sic), acidentes, custos de frete, pedágios etc. O que não dá certo no Primeiro Mundo é importado, porém experiências proveitosas - ferrovia utilizada como meio de transporte de cargas e de passageiros, além do turismo -, não são discutidas. Reforma agrícola (fixando o homem no campo e subsidiando os prejuízos decorrentes das intempéries), antes da agrária, poucos abordam. Reforma penitenciária, seguindo modelos eficientes, não dá voto. Vale mais dotar o inseguro centro das cidades com câmeras espiãs, a título de proteger o cidadão.

Questão existencial ou estrutural? Com o imenso êxodo rural em direção às grandes e médias cidades, estas acabaram, sem planejamento nem infra-estrutura, não crescendo, apenas inchando. Explosão demográfica e bolsões de miséria na periferia surgiram do dia pra noite. Nas zonas centrais, prédios antigos (sem conscientização do valor histórico por seus donos) ruíram ou foram colocados abaixo, pela especulação imobiliária, erguendo torres de Babel. E os condomínios horizontais (vilas arborizadas de casas padronizadas) acabaram dando lugar a prédios e mais prédios onde os vizinhos se “engavetam” sem se ver nem conviver. Alguns condomínios verticais possuem mais apartamentos e inquilinos do que cidades interioranas têm de casas e habitantes.

Ao final da II Guerra Mundial (1945), quando os soldados voltaram pra casa, encontram suas mulheres e namoradas trabalhando nas indústrias e no comércio. Mudou o perfil da família brasileira. Antes ao marido cabia o provimento da casa. A mulher era a dona do lar; e os filhos, se homem, estudava para ser doutor, se mulher, pra ser prendada. Depois da ruptura desse modelo (anos 1960, com a revolução sexual) todos, por causa do aumento custo de vida e da baixa renda familiar, precisaram trabalhar. A mulher passa a competir no mercado de igual pra igual. Mecanização e informatização diminuem vagas; trabalhadores, marginalidade e violência crescem em progressão geométrica e aritmética.

A construção de Brasília; depois, no regime militar, hidrelétrica de Itaipu, usina atômica de Angra dos Reis, estrada Transamazônica, e outras obras, entre essenciais e faraônicas, tornaram eterna a dívida externa. Em 1970, a televisão brasileira censurada passa a invadir a rotina da família, com desenhos e seriados americanos (hoje sabemos mais dos EUA do que dos desunidos estados brasileiros e suas guerras fiscais). Percebe-se a força da TV na vida das pessoas, quando do capítulo final da Novela das Oito (o mais valioso produto interno bruto, padrão exportação!), catapulta o jogo de futebol televisionado pras 22 horas. A volta pra casa ocorre na insegura “Sessão Coruja”. O próprio futebol torna dia útil em feriado, se a seleção brasileira ultrapassa fases na Copa do Mundo.

Para contextualizar-se a mudança do estilo de moradia na vida das pessoas, precisa-se buscar no fundo do baú (da Felicidade!) origens, fatos e imagens dessas mudanças. Radiografia social faz-se necessária. Crianças em condomínios fechados de apartamentos reduzidos e nas escolas também sem espaço, são o trágico reflexo no espelho do dia-a-dia, na educação e na sociedade. Não há mais praças nem espaços pra jogar bola ou tempo pra conversar diante da TV ligada. As moradias mudaram: pais, filhos e a sociedade também. Muitas vezes, a televisão substitui “sem querer querendo” pais e professores.

 

http://controlverso.blogspot.com

José Antonio Klaes Roig

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