Na verdade minha entrevista "sofreu" algumas alterações e o modelo final ficou assim:
1) Nome da escola:
2) Qual é a tua formação?
3) Qual a disciplina da tua área de atuação?
4) Quais recursos tecnológicos costumas usar nas tuas aulas? Como?
5) Utilizas o laboratório de informática para auxiliar tuas aulas? Qual é a tua motivação para usá-lo ou não nas tuas aulas?
6) O que os alunos fazem no laboratório de informática durante a aula? Consegues atingir teus objetivos?
RELATO DA OBSERVAÇÃO DURANTE A VISITA:
Os professores que responderam a entrevista pertencem a uma escola pública da rede estadual que por sinal é muito bem equipada.
A instituição trabalha com o Ensino Fundamental na modalidade regular e com Educação Especial, para atender esta demanda está a disposição do professor uma boa estrutura física, uma biblioteca com vídeo,DVD, televisão 29', incluindo fitas e cd para uso tanto para os alunos do Ensino Fundamental quanto para os da Educação Especial. Também há um retroprojetor, máquina de xerox, um computador para os deficientes visuais, um "mini"laboratório para os deficientes auditivos com quatro máquinas e uma impressora, um computador na sala dos professores e um outro laboratório com 15 máquinas e duas impressoras, sendo que todas as máquinas estão conectadas à Internet através da banda larga.
Fiz questão de relatar todos os recursos que a escola e, respectivamente, os professores dispõe porque em conversas informais com alguns professores, sempre escuto queixas em relação ao que falta e essa á causa de pouco se fazer em sala de aula.
A escola conta com uma professora responsável pelo laboratório de informática manhã e tarde - turnos que a escola trabalha - e esta relata que o laboratório é pouco explorado pelas turmas das séries finais, em geral exploram o Google para realizar pesquisas na Internet; apenas uma professora utiliza o laboratório com mais freqüência e realiza trabalhos diferenciados através do Orkut e com a criação de Blog. No mais, a professora responsável pelo ambiente é que se encarrega de organizar e executar aulas semanais com as crianças das séries iniciais trabalhando com software como: Hagaquê, Drawing, jogos pedagógicos,...
Percebi que mesmo tendo tudo isto a disposição, mesmo a escola sendo organizada (é a impressão que se tem ao vê-la) não existe um trabalho diferenciado que contemple a inserção destas tecnologias de informação e comunicação na escola.
O USO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA SALA DE AULA
EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: NOVAS PERSPECTIVAS
Quando falamos em tecnologia, logo pensamos em todos os aparatos elétricos e eletrônicos que estão a nossa disposição nos dias atuais; mas esquecemos que todos os artefatos que foram elaborados e construídos para ajudar a superar as limitações do homem, são tecnologias.
Partindo deste pressuposto, livros, calças, meias, canetas, lápis, ... fazem parte do acervo tecnológico, assim como televisão, giz, celulares, computadores, DVD, câmeras digitais. A diferença é que estes últimos são recursos mais avançados, o que de certa forma, nos comprova que na atualidade vivemos um período de intensa produção tecnológica.
Entretanto, até que ponto esta produção tecnológica intensa é positiva para o homem? Neste arsenal de informações, será que a escola está sabendo aproveitá-la em benefício de uma Educação de qualidade?
Bem, acredito que para responder a estas questões é interessante abordarmos um ponto fundamental: a diferença entre informação e __conhecimento__.
Ter acesso e obter informações não é sinônimo de ter conhecimento. A disponibilidade de livros, jornais, revistas, documentários e até mesmo a Internet, garantem o acesso a informação; não ao conhecimento. Uma informação não se transforma em conhecimento de forma imediata, é preciso que o indivíduo compreenda-a, interprete-a e estabeleça um sentido para a mesma.
É preciso que as informações sejam trabalhadas conjuntamente em várias situações de aprendizagem, de modo que o aluno possa estabelecer relações, comparar, diferenciar, experimentar, analisar, atribuir significado e sistematizar os conceitos envolvidos num processo contínuo de (re) construção do conhecimento (piaget, 1977).
Piaget nos fala do conhecimento como um processo de adaptação através do equilíbrio constante da acomodação e da assimilação das estruturas de interação do sujeito com o objeto e do objeto com o sujeito.
A Educação não pode estar a mercê de tudo o que a tecnologia de informação e comunicação pode nos oferecer; entretanto de nada nos adianta contemplar nossas escolas com laboratórios de informática se não existir uma proposta pedagógica que contemple uma prática inovadora de fato. A escola é lugar de mudanças não apenas de transmissão e preservação da cultura; neste aspecto os laboratórios sugerem mudanças, mas logicamente também propiciam desafios: temos novos espaços e materiais diferenciados que provocam dúvidas, incertezas quanto às práticas: Como ensinar e aprender?
É sabido que através da Internet temos um vasto campo de informações que podem ser abordados pela quantidade ou por especificidades, a escolha dependerá de alguns requisitos: objetivos do professor, características dos alunos, condições físicas do ambiente informatizado, disponibilidade de tempo para a disciplina e/ou para a turma, além do estímulo o processo de aprendizagem dinamizando suas atividades em torno do Laboratório de Informática.
A escola e os recursos telemáticos
Muitas são as propostas que existem em torno de uma melhor utilização dos recursos telemáticos nas instituições de ensino, pois estão dando conta de que não é apenas num encontro ao vivo e em cores que a aprendizagem pode acontecer.
É cada vez mais comum ouvirmos falar em cursos a distância, vídeo-aulas, tele-conferências, salas de bate-papo, onde a interação e a aprendizagem acontecem de forma muito produtiva e proveitosa. Tomemos por base o conceito de Telemática na Educação para entendermos melhor por que esta ferramenta ganha cada vez mais espaço em ambientes educacionais.
Telemática na Educação é a reunião das tecnologias de informática e de telecomunicações utilizadas no processo ensino-aprendizagem como ferramenta para resolução de problemas e como meio de colaboração entre alunos e professores. (MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos."Telemática na educação" (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora).
Partindo do exposto no significado acima, podemos entender que não só o computador, a Internet, os softwares, mas todas as outras ferramentas de telecomunicações são bem vindas para enriquecer o processo do ensinar e do aprender tanto de professores quanto de alunos. Sendo assim,a televisão, o rádio, o vídeo, uma câmera digital, uma máquina fotográfica, até mesmo um aparelho de celular pode favorecer este processo.
Na utilização de qualquer um destes meios, o que tem que ficar claro, é que a troca entre os envolvidos é essencial e não apenas mais uma forma (um pouco agradável) de apresentar um conteúdo. Hoje trabalhamos para que a Cooperação e a Interação sejam habilidades essenciais do ser humano, tanto na convivência física como na virtual.
Ao ocuparmos qualquer uma das tecnologias de comunicação a nossa preocupação enquanto professores, deve ser a de estimular a busca, provocar curiosidades e não de dominar (se é que alguém consegue) o acesso às informações, desta maneira estaríamos fazendo o velho no novo, ou seja, tendo a mesma prática tradicional com ferramentas inovadoras.
Logicamente não há receitas para o uso destes recursos (assim como acredito que não exista fórmulas milagrosas para a aprendizagem), mas se começarmos pelo estímulo, nosso aluno irá buscar, nós iremos auxiliá-los na organização destas buscas e, mais tarde teremos momentos de questionamentos para adaptação dos fatos apresentados à realidade.
O professor e a resistência em usar a informática na execução de suas aulas
Sabemos que toda a novidade provoca mudanças, e se tratando de Educação o problema está justamente aí. Muitas vezes, nós professores, estamos muito acomodados, sem vontade de agir, fazer as coisas acontecerem.
Alguns professores, vêem a informática como instrumento pedagógico e grande parte dos alunos enxergam como lazer. Todos nós ficamos fascinados com tudo o que a Internet nos oferece, mas ainda não entendemos como ocorre a aprendizagem neste novo ambiente.
Muitos alunos por sua vez, acreditam que agora não precisam mais pensar, elaborar e re-elaborar atividades, são resistentes para pensar. O novo desafio dos professores não é garantir quantidade de informações, mas sim de formar pessoas que tornem-se dispostas a ‘aprender a aprender’.
Para assumir a perspectiva em que a prática pedagógica com o uso das novas tecnologias da comunicação e da informação é concebida como um processo de reflexão-ação, o professor precisa ser capacitado para dominar os recursos tecnológicos, elaborar atividades de aplicação desses recursos, escolhendo os mais adequados ao alcance dos objetivos pedagógicos, analisando as conseqüências ( e/ou efeitos) produzidos em seus alunos. Para isso, a escola deve ter um perfil dinâmico para conseguir priorizar a formação contínua de seus professores e contemplar a inserção das TICs no seu Projeto Político Pedagógico.Caso contrário o laboratório de informática torna-se-á um parque de diversões.
Referências Bibliográficas:
MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos."Telemática na educação" (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - http://www.EducaBrasil.com.br/eb São Paulo: Midiamix Editora).
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